Stanford abre curso para alunos maduros, com mais de 50 anos

Valor Econômico, Mark Miller – 09/02/2015

A Universidade de Stanford recebeu 25 estudantes incomuns em seu campus neste mês – todos na faixa dos 50 ou 60 anos de idade. São os alunos inaugurais de um novo programa, o Instituto para Carreiras Eméritas (Distinguished Careers Institute, ou DCI, na sigla em inglês), criado para pessoas que desejam seguir mais de uma carreira ao longo de suas vidas e querem voltar a estudar.

É a vanguarda de uma nova frente nas universidades, cujo foco passou a ir além dos típicos estudantes jovens ainda sem nenhuma graduação. “As pessoas vêm descobrindo que suas carreiras iniciais podem durar 20 ou 30 anos e que, então, precisam se preparar para novos trabalhos que possam durar mais um par de décadas”, diz o doutor Philip Pizzo, fundador do programa e pioneiro na área de oncologia, que já foi reitor da escola de medicina de Stanford.

O DCI é similar à Iniciativa de Estudo Avançado, da Universidade de Harvard, lançada em 2009. Ambos são programas de um ano, com foco em líderes da “turma dos Cs” (como são chamados nos Estados Unidos os CEOs, CFOs e outros altos executivos), interessados em transformar a segunda metade de suas vidas profissionais. E ambos são caros. O DCI custa US$ 60 mil, sem incluir moradia; a anuidade e outros custos no programa de Harvard são similares.

Com o instituto, Pizzo, 70 anos recém-completados, também está dando seu próximo passo, depois de uma carreira ilustre na medicina que incluiu cargos na Universidade de Harvard e nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. Ele espera iniciar uma espécie de movimento e vai entrar em contato com outras universidades neste ano para falar sobre o que Stanford vem aprendendo com o DCI e a encorajá-las a fazer algo semelhante. “Somos um programa de elite, mas não elitistas”, diz.

Outro grupo, o Encore.org, sem fins lucrativos, também trabalha por meio da educação superior para ajudar a transição de carreiras de profissionais de meia idade. A iniciativa “EncoreU”, do grupo de San Francisco, encoraja as universidades a direcionar o foco para estudantes mais velhos que buscam mudanças em suas vidas profissionais. Ele vai reunir um grupo de presidentes de universidades neste outono americano para falar sobre como tornar isso realidade.

Jere Brooks King é um exemplo desse novo público. Ela se inscreveu no programa DCI de Stanford depois de 35 anos atuando na área de vendas e marketing em empresas de tecnologia – interrompidos por uma aposentadoria precoce na Cisco em 2011, aos 55 anos. Ela fez 59 pouco antes de o DCI ser lançado neste mês.

Jere, que atuou nos conselhos de administração de várias instituições sem fins lucrativos e associações setoriais, entrou no DCI para ampliar seus conhecimentos sobre governança em conselhos. Ela espera poder usar essa experiência em startups que tenham foco em tecnologia e inovação social.

“É realmente animador poder explorar o que há de mais novo em tecnologia e inovação social”, afirma no campus.

“Estou tendo a chance de ouvir investidores em capital de risco interessados no assunto, além de acompanhar de perto o que os estudantes vêm fazendo em seus próprios empreendimentos.”

No DCI, os alunos escolhem entre nove áreas de foco acadêmico que vão desde artes e humanas até engenharia, saúde e ciências sociais. Também participam em seminários semanais de discussão e em sessões de liderança e de aconselhamento intergeracional.

A reação que os matriculados no DCI vêm provocando nos jovens estudantes de Stanford tem sido surpreendente.

“Acho que nos encaixamos bem e fomos recebidos calorosamente”, diz Jere. “Mas tenho certeza de que nos distinguimos dos demais, porque todos parecemos com os pais de alguém – ou avós.”

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